sexta-feira, 25 de abril de 2014

Consumo reduzido de água em situação de sobrevivência

A água é o combustível da vida. Não resta a menor dúvida. O ser humano tem grande parte de seu corpo composto por água. Cerca de 75% do peso de um músculo humano é composto por água. O sangue por sua vez contém 95%, a gordura corporal 14% e o tecido ósseo 22%. O corpo humano possui cerca de 70% de água em homens adultos e 75% em mulheres adultas. Essa diferença se deve à maior porcentagem de gordura corporal (com menor conteúdo de água) e a menor porcentagem de massa muscular (com maior conteúdo de água) das mulheres em relação aos homens.
 
Perdemos água através do suor, urina, fezes e até mesmo da respiração. Esta água deve ser reabastecida para que os nossos órgãos continuem a funcionar corretamente. No forte calor, um adulto pode perder até 1,5 litros de água através somente do suor.

Estudos têm demonstrado que, se o corpo perder apenas 2,5% do seu peso em água, pode perder 25% de sua eficiência. Isso significa que: um homem de 80 kg, provavelmente já desenvolverá problemas caso perca 2 litros da água corporal. Essa “pequena” desidratação pode engrossar o sangue, isso faz o coração trabalhar mais e a circulação ser menos eficiente, prejudicando a oxigenação do corpo. Isso é um sinal de alerta!
Mas, quanto tempo o corpo humano aguenta sem água?  Bem, supondo que se trata de alguém em boa forma, com o funcionamento normal de todos os seus órgãos e em condições normais (sem muito frio ou calor), um ser humano pode viver por cerca de 3 dias sem água. Mas, é claro que a degradação dos sentidos (olfato, visão, paladar, tato) e a queda nos sistemas do corpo (respiratório, circulatório etc) são obviamente graduais.
Uma desidratação leve (1º dia) engrossa a saliva, perde a frequência urinária e resulta numa urina com cor e odor fortes. Na desidratação moderada (do 2º ao 3º dia), a urina quase cessa – Claro, o corpo precisa economizar água – a boca, a mucosa do nariz ficam secas e pode gerar rachaduras, olhos fundos e sem lubrificação e batimentos cardíacos acelerados. A desidratação severa (do 3º dia em diante), a urina definitivamente cessa, perda temporária ou completa da sensibilidade e dos movimentos, cansaço devido a baixa oxigenação dos sistemas, vômito, diarreia. Até o 5º dia (dependendo da pessoa) há um estado de choque. A pele fica em tons azulados e muito fria, consequência da perda de pressão sanguínea. A partir dessa fase, o fim da vida é questão de tempo.
Em situações inesperadas, de emergência, de sobrevivência, em que não se dispõe de água suficiente ou mesmo o estoque é escasso, chega o momento de se utilizar uma técnica de racionamento. Dependendo da pessoa, um litro de água mantém em funcionamento precário as funções vitais do corpo por até cinco dias. Então se chega à conclusão de que é importante conhecer formas de se consumir pouca água para equalizar as grandezas de escassez de água x tempo incerto em que não se disporá de outra fonte de água.

Quando eu vou a campo, costumo levar cinco litros de água para dois dias. O fato de eu transpirar consideravelmente é uma contingência a se considerar para o planejamento da quantidade de água a ser levada em incursões em meios inóspitos. Parece muita água, mas não é. Dois litros dessa água ficam reservados para situações não planejadas. Razões exógenas podem surgir e me condicionar a ter de utilizar os mesmos recursos disponíveis por um tempo maior. Aí que entra essa técnica de baixo consumo de água.

Essa técnica tem de ser praticada em momentos normais para se conhecer os limites que a sede nos impõe e nos acostumar com seus efeitos. Obviamente essa técnica deve ser treinada pelo tempo absolutamente essencial para a produção do conhecimento, porque passar sede propositalmente além de desconfortável prejudica essencialmente nossos rins.

Os goles, que serão um de cada vez, devem ser dados lentamente e é altamente recomendável que você mantenha a água na boca por uns 20 a 30 segundos para umedecer satisfatoriamente a mucosa e aumentar a sensação de saciedade.
Se eu disser aqui em que consiste essa técnica, vai parecer piada pela simplicidade do procedimento. Na verdade não inventei nada. Existem inúmeras pessoas que a utilizam pelo mundo afora.

Basicamente é o seguinte: no momento em que você decretar situação de emergência em campo (você reconhecer que está perdido na mata, você está machucado em local de difícil acesso e outras tantas situações) é importante que o consumo de água seja reduzido em mais de 75%. No meu caso, treinei consumir um gole de água apenas quando a sede estiver incomodando bastante. Em situações em que estou em repouso, esse tempo gira em torno de 5 horas. Em casos de atividade física moderada ou intensa, o tempo cai para duas a 3 horas no máximo. Um gole de água tem aproximadamente a quantidade de 30 a 50 ml. Portanto, um litro de água dá para 20 ou mais goles. Se considerarmos que estamos em repouso, 20 goles de de água, em situação de sobrevivência, é o suficiente para cinco dias! Parece bom né? Infelizmente um gole de água passa a não matar mais a sede depois de dois dias consumindo essa baixa quantidade. Em caso de atividade física moderada ou intensa, um litro de água pode durar no máximo 3 dias. O fundamental é você simular essa situação e conhecer melhor os limites do seu organismo. 

domingo, 9 de março de 2014

Miojo: vilão ou aliado?

Uma pesquisa da Proteste realizada recentemente alerta que o consumo exagerado de miojo faz mal à saúde. Não somente o miojo, mas todos os outros produtos definidos como macarrão instantâneo fazem mal à saúde devido ao alto teor de sódio e de gordura em sua composição.
As doses exageradas de sal foram encontradas não só no tempero como na própria massa. Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS a ingestão máxima de sal por dia deve ser de apenas 2 gramas, o que equivale a uma colher rasa de café e cada embalagem de macarrão instantâneo traz pelo menos o dobro deste valor.
O excesso de sal na alimentação está ligado ao aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, colesterol e comprometimento renal. A recomendação é de evitar ao máximo este tipo de refeição optando por alimentos mais saudáveis, e se possível, preparadas sem sal como saladas frescas e legumes cozidos. Para conferir algum sabor indica-se o uso de ervas finas e especiarias, que não fazem mal a saúde e são agradáveis ao paladar.
Pois bem, sobrevivente. Você já deve ter ouvido falar que o miojo é carrasco da saúde, mas tem um sem número de praticantes de bushcraft, sobrevivencialismo, camping que utilizam largamente o miojo nas refeições outdoor. Penso que o equilíbrio seja a essência. Comer miojo só em situações de acampamento não faz tanto mal assim. Alguns excessos são admitidos pelo corpo humano. O que é prejudicial e deletério é a regularidade da má alimentação. O que aconselho aqui é substituir o tempero que acompanha o miojo, por alho e sal. Particularmente, eu gosto de fatiar um tomate e acrescentar feijoada em lata (daquelas de 400 gramas). Fica ótimo e sustenta bastante.
O bom do miojo é que ele é muito versátil. As combinações possíveis são inúmeras, e cá entre nós, é uma delícia não é mesmo? Salsicha, calabresa, ovo, almôndegas enlatadas, enfim... a criatividade do sobrevivente é que vai dar sabor a uma das atividades mais prazerosas de se fazer no meio do mato: comer. Bom apetite.
Ótima noite!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Planejamento prévio

Essas dicas são para você se preparar para um ataque futuro, mesmo que ainda improvável no teatro dos acontecimentos geopolíticos mundial (o que não o caso se considerarmos a crise na Ucrânia).

Elabore um planejamento de suas ações: Organização e planejamento são pilares de sustentação de uma ação bem desenvolvida e coroada com sucesso. Se você cogita a possibilidade de que o “simples” fato de existirem armas nucleares em nosso planeta possa ser um indicativo de que algum dia elas possam detonar em locais em que o Brasil não se livre dos efeitos da explosão ou mesmo dos efeitos da radiação resultante, você deve elaborar um planejamento criterioso para esse impasse. Mas para quê? Para se livrar do desespero avassalador que se abate sobre pessoas que não estão preparadas psicológica ou logisticamente, para enfrentar uma crise repentina. Se um ataque nuclear acontecer, não será seguro se aventurar pelas ruas em busca de alimentos, de água, de ajuda. O caos pode ter se generalizado e a chance de você arrumar mais problemas do que soluções é grande. Elabore um detalhado plano contendo basicamente as primeiras providências a serem tomadas após o conhecimento do ataque, itens armazenados e onde podem ser usados, prováveis locais para fuga, em caso de colapso do seu abrigo, o que fazer em várias outras situações, etc. 
 Os órgãos oficiais dizem que você deve se abrigar de possíveis efeitos da radiação por, no mínimo, 48 horas. Mas de tanto pesquisar pela internet afora, eu cheguei a conclusão de que o tempo absolutamente mínimo para sair do abrigo é 9 dias. Explico-me. A chuva que cai torrencialmente após a detonação nuclear traz restos dos materiais pesados e radioativos que se desprenderam do núcleo do artefato no momento da explosão. Esse material fica em suspensão no ar por alguns dias. Quanto mais você puder proteger sua pele do contato com esse tipo de material, melhor para você. Ter alimentos, água e suprimentos médicos à mão pode acalmar seu estado psicológico e permitirá que você se concentre em outros aspectos da sobrevivência (que são muitos).

Estoque alimentos: Determinados alimentos podem durar anos, se devidamente acondicionados e armazenados. São os liofilizados, enlatados, e os embalados com determinados condimentos que prolongam em muito tempo a vida útil do alimento (falaremos mais detalhadamente disso em momento oportuno). Escolha itens que contenham muito carboidrato, para o fornecimento de mais energia para seu corpo, e os armazene em um local fresco e seco. Alguns itens que devem se fazer presentes são: arroz branco, trigo, feijão, açúcar, aveia, macarrão, leite em pó, frutas e vegetais secos. Construa lentamente seu estoque, com paciência e seguindo o contido no seu planejamento. Sempre que você for ao supermercado, pegue um ou mais itens para seu estoque de comida. A quantidade de alimento que você vai armazenar depende do tempo que você definiu como meta para ficar
no abrigo e do seu consumo diário. Quanto mais tempo permanecer abrigado, mais alimento a ser estocado – regra básica. Existem cálculos em termos de consumo mínimo calórico por dia que um ser humano deva consumir que é de 2000 calorias por pessoa. No entanto, em situação de sobrevivência, em que você não sabe até quando vai precisar de seu estoque de alimento sem ter de recorrer ao meio externo para consegui-lo, aconselho a diminuir a quantidade de calorias consumidas, até porque você estará a maioria do tempo em repouso e esse estado consome menos energia.

Mesmo que não seja necessário o uso desses alimentos e quando sua vida útil estiver chegando ao fim, utilize-o em sua alimentação cotidiana e depois reponha o estoque. Outra coisa importante: certifique-se de ter um abridor de latas para alimentos enlatados.

Armazene água: considere manter um suprimento de água em recipientes plásticos. Limpe os recipientes com uma solução alvejante, depois os encha com água filtrada ou destilada.
A dica para cálculo de quantidade é 4 litros por pessoa por dia. Para purificar água, mantenha água sanitária e iodeto de potássio por perto (ou comprimidos de clorin).

Disponha de meios de comunicação: manter-se informado, bem como alertar os outros de sua posição, pode ser valioso para sua vida. 

Rádios: acredite! você vai precisar [e muito] de um rádio. Se for com 12 faixas de frequência é melhor, mas não escolha um rádio que tenha menos que 7 faixas. Os de 7 e 12 faixas são capazes de sintonizar emissoras que transmitem em ondas curtas que é a faixa de frequência que atravessa enormes distâncias, inclusive oceanos. Veja:

·   Ondas Curtas - 2.3 MHz a26.1 MHz, divididas em quinze bandas, apresentam longo alcance, porém baixa qualidade de sinal. As mais usadas são de 49, 31, 25 e 19 metros.
·   Ondas Médias - 520 kHz a 1610 kHz, utilizada nas Américas, esta banda possui médio alcance.
·    Ondas Longas - 153 kHz a 279 kHz, não disponível no hemisfério oeste, é usado para transmissões na Europa, África, Oceania e parte da Ásia.
·    Ondas Tropicais - 2300 kHz-5060 kHz de 120-90-60 metros, utilizada entre os Trópicos, esta banda possui longo alcance, razoável qualidade de sinal.


Um rádio pode ser o único meio de comunicação disponível para se saber o que está acontecendo no mundo, caso a falência da internet, sistema elétrico e canais de TV tornarem-se inoperantes. Isso pode ser a diferença entre viver ou morrer. Rádios que captam estações que estão transmitindo a grandes distâncias podem nos fornecer informações preciosas acerca da extensão da explosão, da possibilidade de se sair ou não do abrigo, etc. Tente encontrar um rádio que seja movido à energia solar ou à manivela. Se você tiver que usar um modelo à pilha, certifique-se de ter à mão pilhas extras. Manter um gerador de energia, mesmo aqueles pequenos de pouca potência, é essencial para sua sobrevivência. Recarregar um celular, ligar um rádio, acender uma lâmpada podem fazer a diferença entre o desespero e a tranquilidade.

Apito: útil no caso de ser imperativo pedir ajuda e a outra pessoa esteja longe demais para ouvir um grito seu, ou de você estar gritando contra o vento. Parece besteira, mas um simples apito já salvou inúmeras vidas.
Telefone celular: O serviço de telefonia celular pode ou não ser mantido. Se assim for, tanto melhor, mas essa possibilidade é pequena. Mesmo assim, encontre um carregador solar para o seu modelo.

Estoque suprimentos médicos: ter em estoque alguns itens médicos disponíveis pode fazer a diferença entre viver e morrer se você for machucado em um ataque. Você precisará de:
·      Um kit básico de primeiros socorros: Você pode comprar estes kits prontos, ou fazer o seu mesmo. Você precisa de gazes esterilizadas e curativos, pomada antibiótica, luvas de látex, tesoura, pinças, um termômetro e um cobertor.
·      Um livreto de instrução de primeiros socorros: Compre um desses, ou monte seus próprios materiais impressos da internet. Você deve saber como fazer curativos em feridas, administrar RCP, tratar choque e queimaduras. Mas devo lembrar que se todas as informações que estão contidas no livreto, estiverem assimiladas pelo sobrevivente ele terá muito menos sofrimento numa situação que já é desesperadora. 
 Medicamentos de prescrição médica e suprimentos: Se você toma um medicamento específico todos os dias, tente se assegurar de guardar um pequeno suprimento de emergência. Quanto ao prazo de validade dos medicamentos, consuma-os conforme a necessidade, mas renove o estoque.

Consiga outros itens diversos. Conclua seu kit de emergência com o seguinte: uma lanterna e pilhas; máscara de proteção contra pó; papel filme e fita adesiva; sacos de lixo, lacres de plástico e lenços umedecidos para limpeza pessoal; uma caixa de ferramentas.

Gostaria de fazer um adendo. Compre aqueles plásticos pretos e grossos que são vendidos em lojas de material de construção. Tire medida de suas janelas e portas e compre os plásticos para cada uma delas. Numerar as portas e janelas e corresponder os números nos plásticos poupará seu tempo. Essa vedação é importante para que não entre poeira radioativa em sua casa. A vedação é feita com o plástico e com fita adesiva (eu prefiro a fita silver tape (aquelas prateadas) que são resistentes e grossas).

Fique de olho nas notícias. Um ataque nuclear provavelmente não virá sem aviso da nação agressora. Tal ataque seria precedido por uma deteriorante situação política. Uma guerra com armas comuns entre as nações que possuem armas nucleares, se não concluída depressa, pode se intensificar e tornar-se uma guerra nuclear e até mesmo ataques nucleares em uma região pode se transformar em uma guerra nuclear mundial.

Muitos países têm um sistema de classificação para indicar a iminência de um ataque. Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, pode ser útil saber o nível de DEFCON (DEFesa CONdição).

Aprenda a diferença entre as armas nucleares.:
·    Fissão (Bombas-A): arma nuclear mais básica e são incorporadas em outras classes de armamentos. Esta bomba é feita à partir da divisão de um núcleo pesado (plutônio e urânio) com nêutrons; pois a divisão de átomos do urânio e do plutônio libera grandes quantidades de energia - e mais nêutrons. Os nêutrons perigosos causam uma reação nuclear em cadeia extremamente rápida. As bombas de fissão foram os únicos tipos de bombas nucleares usadas em guerra, contra humanos, até agora.
·    Fusão (Bombas-H): usando o incrível calor de uma "vela de ignição" de uma bomba de fissão, comprime e aquece o deutério e o trítio (isótopos do hidrogênio, que se fundem, liberando uma imensa quantidade de energia). As armas de fissão também são conhecidas como armas termonucleares, já que é necessário altas temperaturas para fundir o deutério e o trítio; tais armas são geralmente muitas vezes mais poderosas do que as bombas que destruíram Nagasaki e Hiroshima.










quarta-feira, 5 de março de 2014

Radiação nuclear I

A ocorrência de um ataque nuclear em algum país é uma possibilidade possível de acontecer se considerarmos que existem armas nucleares no mundo. É ainda mais possível de acontecer se admitirmos que existem diferenças ideológicas entre alguns desses países possuidores de tal artefato. E para concluir essa funesta análise, se considerarmos que esses países são governados por seres humanos, e como tais, são dotados de defeitos inerentes a sua condição humana como orgulho, vaidade e egoísmo. Pronto! Temos um problema em potencial.

É fato que existem organismos supra nacionais (ONU, Tribunal Penal Internacional e outros) que têm a missão de agir diplomaticamente ou, em casos extremos, até mesmo militarmente, para dirimir conflitos entre países, ou entre determinado governo e seu povo, como é o caso das guerras civis. Felizmente até hoje ocorreram apenas dois impactos nucleares utilizados em conflito armado contra uma população. Estivemos na iminência de acontecerem de novo no caso da "crise dos mísseis" em Cuba.

No entanto o mundo vive às voltas com conflitos dos mais diversos matizes, e além disso, não é possível desconsiderarmos os terroristas que, agindo em causa própria ou religiosa, podem ter acesso a artefatos nucleares no mercado negro internacional e usá-los em suas pretensões nefastas.

Para nós brasileiros, a possibilidade atual de sermos atacados por um artefato nuclear é baixíssima, dadas algumas circunstâncias, como por exemplo, o fato de o Brasil ser um país historicamente pacífico, de não estar envolvido em questões polêmicas internacionais, por não possuir vizinhos que estejam envolvidos diretamente em conflitos entre Estados Nacionais. A Venezuela é um caso específico, mas que também não considero, em última análise, como alvo de pretensões nucleares a curto prazo.

Mas os Estados Unidos, que não estão tão longe assim de nós, (Miami a Fortaleza tem a distância de 5.500 Km em linha reta e Washington DC e São Paulo distam em 7.600 Km) podem ser alvo de explosões nucleares. Então esse assunto nos interessa diretamente, certo? Sim, e muito. A menor distância entre os dois países, como vimos acima é insuficiente para nos livrar da radiação resultante da explosão. Mesmo no caso da distância entre a capital norte-americana a São Paulo, não nos livra de malefícios causados pela radiação nuclear.

Felizmente existem técnicas que podem ser usadas para sobreviver em meio a esse cenário inóspito. Se estivéssemos mais perto da América do Norte, essas técnicas seriam ineficazes, mas no nosso caso, são fundamentais para que um maior número de pessoas se livrem das consequências catastróficas da radiação nuclear e recomecem uma nova história.

No próximo post falaremos disso com mais detalhes.


Até, sobreviventes!


terça-feira, 4 de março de 2014

Iminência de um conflito armado

Se você não acompanha noticiários na TV, nem se importa em ler notícias pela internet, saiba que o mundo está na iminência de uma guerra sem precedentes. Absurdo? Não se considerarmos os últimos acontecimentos no leste europeu.

Rússia e Ucrânia travam uma batalha diplomática (até o momento) composta por ameaças [podem ser blefes], fazendo com que um jogo de xadrez se estabeleça nos bastidores da diplomacia dos dois países. A mobilização de forças russas na Crimeia, com o devido apoio do Parlamento a Putin, nos dizem que um desenrolar danoso é provável, pois os Estados Unidos, na ânsia de conquistar um aliado no quintal do eterno inimigo ideológico, prometeu auxiliar militarmente a Ucrânia numa suposta invasão russa. Além disso, a China é aliada ideológica da Rússia, bem como Irã, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela. Além de outros que se alinham ideologicamente a esses últimos países, como é o caso do Brasil. Na outra trincheira temos as democracias europeias (a União Europeia, principalmente) e vários destes países têm arsenal atômico. Esse cenário nefasto nos faz pensar em quais providências temos que tomar num caso de conflito envolvendo potências com poderio nuclear.

Daqui por diante faremos um apanhado diário das principais informações garimpadas por mim em várias agências de notícias mundo afora, e atualizaremos tudo aqui. E paralelamente a isso, daremos preciosas dicas de como se resguardar dos possíveis danos advindos de um conflito armado.

Se isso realmente acontecer, tempos difíceis nascerão nos horizontes da Terra. E dificuldades surgem para nos mostrar que somos mais fortes do que pensamos. Uma chance de sermos melhores que pensávamos e lutar com os recursos disponíveis para a manutenção de nossa vida e das pessoas que gostamos.

Bom dia.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O quarto do pânico

Você já ouviu falar no "quarto do pânico"? Se você respondeu com um sim a essa pergunta, é bem provável que já tenha assistido ao filme que leva o mesmo nome, em que Jodie Foster se esconde em um quarto reforçado em uma casa. Ela tem uma infinidade de equipamentos de vigilância, segurança e suprimentos à sua disposição para fazer frente a bandidos que invadem sua casa. Eles a aterrorizam até que ela é forçada a sair e confrontá-los.
No entanto, os quartos do pânico não são tão dramáticos assim. A começar do nome. Eles costumam ser chamados de "quartos seguros". Mas suas origens são de muito antes que possamos imaginar. Desde a época medieval os senhores feudais usavam quartos seguros como proteção durante os confrontos.
 Os quartos do pânico de hoje tem uma tecnologia bem interessante. Especialistas em segurança dizem que com equipamentos de comunicação básicos, os ocupantes só precisam se esconder no quarto por algumas  horas, quando o socorro chega para reprimir a invasão sofrida na casa.
Mas fica uma pergunta: por que as pessoas precisam dele? Casas luxuosas que exibem glamour são chamarizes de ladrões. É uma espécie de sinônimo de dinheiro. Ações coordenadas de bandidos especializados podem jogar por terra os engenhos de segurança utilizados para impedir a entrada de malfeitores na casa. Nesse caso, o quarto do pânico é o plano B. Como consequência direta, os quartos do pânico se “popularizaram” entre essa fatia do mercado estimulando a montagem dessas semi-fortalezas num determinado local da casa.
São construídos com materiais resistentes ao clima e possuem vários recursos disponíveis tais como máscaras de gás e tabletes de iodeto de potássio para proteção contra ataques biológicos e nucleares. Algumas configurações de quartos podem até mesmo abrigar a família toda por um relativo período - até mesmo por um mês.
Além de suprimentos básicos e uma boa fechadura, os quartos do pânico incluem uma grande quantidade de recursos, desde armamentos até um bar com bebidas, pia, sanitários e outros tantos. 
O quarto do pânico é uma espécie de cofre para pessoas. Ali, quem for abrigado terá uma sobrevida que varia em função do número de pessoas, do tempo necessário, dos recursos à disposição. Opções mais modernas em segurança, eles vão de quartos com simples portas reforçadas até minifortalezas detalhadamente planejadas e construídas que protegem seus ocupantes contra ataques nucleares, biológicos e até mesmo furacões e invasões residenciais. Idealizados com tecnologia de ponta, eles são feitos com os materiais mais modernos e se parecem com esconderijos luxuosos.
Graças ao filme de Jodie Foster, muitas pessoas associam os quartos do pânico com invasões residenciais, o que acontece muito, mas na verdade esta não é a sua finalidade mais comum nos EUA. Eles são projetados para aguentar ventos com a força de furacões e tornados. São cômodos acessados por armários embutidos. Banheiros ou mesmo quartos comuns podem ser adaptados para ser quartos do pânico, os quais se localizam primordialmente no térreo e têm seus alicerces reforçados com aço e concreto.
Muitas pessoas que constroem quartos do pânico objetivam preservar coisas, e não pessoas. Eles podem esconder informações digitais valiosas, obras de arte, livros raros e outros. O ambiente impermeável e com clima controlado facilita que esses objetos não sofram danos por ficarem armazenados por muito tempo. Dependendo da quantidade de segurança que o cliente quiser e do dinheiro que tiver para gastar, os quartos do pânico possuem uma grande variedade de recursos de segurança. É possível reforçar um armário embutido e colocar alguns suprimentos de emergência ou construir uma outra casa dentro de sua casa.
Paredes
Um quarto do pânico é fundamentalmente uma caixa super reforçada com uma abertura. Então os seis lados da caixa - paredes, teto e chão - devem ser reforçados. É possível reforçar um armário embutido com madeira compensada se quiser um abrigo contra tempestade, mas isso não vai oferecer proteção contra invasores. O próximo passo é usar tela de arame ou rede de aço, e os painéis de Kevlar à prova de explosões para oferecerem a máxima proteção. A base reforçada com cimento pode criar uma base estável e um teto de aço, com painéis de Kevlar opcionais, irá impedir a entrada dos invasores de baixo até em cima.
A maioria dos fabricantes de quartos do pânico modernos usa Kevlar de peso leve e plásticos, o que torna possível sua construção em quartos que não estejam localizados no térreo. No entanto, o piso térreo ainda é o local mais seguro para a proteção contra catástrofes naturais, como furacões e tornados.

Entrada
Construídos para esconder seus ocupantes, torna-se primordial que a entrada seja invisível. Estantes de livros, armários na parede, acessos secretos dentro de guarda-roupas embutidos e portas escondidas são escolhas bem úteis.
A porta é o ponto fraco do quarto do pânico, então sua construção deve ser cuidadosa para neutralizar essa vulnerabilidade. Mesmo que suas paredes não estejam reforçadas com aço, é bom colocar uma porta de aço sólido. As fechaduras são embutidas e montadas dentro da porta em vez de serem colocadas fora dela. Com isso, oferecem um excelente nível de segurança, assim como as dobradiças e os parafusos de aço. As ombreiras de portas feitas de aço impedem que um intruso chute a porta e consiga abri-la. Os quartos do pânico com tecnologia de ponta geralmente têm fechaduras controladas por teclados numéricos, que usam as forças magnéticas para manter a ligação entre um íma colocado na moldura e um dispositivo colocado na porta.
Suas portas não têm chaves comuns porque elas podem ser perdidas ou cair em mãos erradas. Em vez disso, as portas podem ter fechaduras internas sem maçaneta, teclados de combinação numérica ou aparelhos para escaneamento de retina e de digitais.
No quesito comunicações o ideal é deixar um aparelho de telefone celular (como dispositivo principal) e um rádio-amador (como plano B) no cômodo reforçado caso precise se comunicar com o mundo exterior. Mas se o seu quarto do pânico for muito isolado ou reforçado para que o telefone celular funcione, você pode instalar uma linha telefônica subterrânea ou um botão de alarme diretamente conectado com a polícia ou com a equipe de segurança.


Importante também que quem está do lado de fora não ouça o que é falado dentro do quarto. Torná-lo à prova de som impede que o intruso ouça suas conversas com a polícia. E se os intrusos descobrirem que o dono da casa está no quarto, eles não conseguirão provoca-lo verbalmente.
Você deve se lembrar que o quarto do pânico de Jodie Foster tinha uma parede cheia de monitores que, de maneira dramática, mostravam cada canto da casa. O quarto do pânico típico - se tiver vigilância - tem um monitor conectado a uma série de câmeras escondidas. Os quartos do pânico com tecnologia de ponta também podem utilizar câmeras com sensor de calor (infravermelho) para o caso de a residência for atacada à noite.
Energia
São alimentados por geradores internos e independentes. O aspecto negativo disso é que o quarto do pânico deverá ter ventilação sob pena de intoxicação por monóxido de carbono que é proveniente da queima do combustível do gerador. Câmaras com controle de ar, temperatura e umidade podem ser usados para controle da ventilação interna. Eles podem ter sistemas de filtragem de ar separados que protegem contra armas biológicas, e aberturas falsas para confundir os invasores. E como um último recurso, os quartos do pânico com tecnologia de ponta podem incluir máscaras de oxigênio. Nas configurações de quartos mais básicos, luzes e telefones movidos a pilha ou a manivela podem ser o suficiente.

Suprimentos
É aqui que as pessoas podem enlouquecer um pouco, dependendo da quantidade de dinheiro que estão dispostas a gastar. Os suprimentos são as coisas que ajudam os ocupantes a sobreviverem durante um ataque - comida, água e equipamentos de primeiros socorros.
Os suprimentos para as pessoas de maior poder aquisitivo podem ir bem além do básico. Podem se tornar esconderijos de luxo com camas, bares e sistemas de entretenimento.




segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dicas de segurança para quem vai viajar no reveillón

Fim de ano, período de festas, comércio aquecido por causa do 13º salário. O próprio clima quente do verão brasileiro propicia programas feitos fora de casa. Ou fora de sua cidade. Viajar nessa época do ano é muito comum, pois coincide com o período de férias escolares. Alguns cuidados devem ser tomados para que não se tenha dissabores com o carro, com o trânsito, com pessoas oportunistas que por ventura encontramos no caminho. A seguir listamos algumas dicas de segurança para que o sobrevivente possa curtir as férias tranquilamente.
- Atentar, ao chegar ou sair de casa, para a presença de estranhos nas imediações. Antes de abrir o portão de sua casa para sair, cheque isso no sistema de câmeras, ou caso não tenha, abra o portão de pedestres primeiro, dê uma olhada nas imediações de sua casa, inclusive por baixo de carros que estão estacionados na rua. Só depois abra o portão maior para retirar seu veículo;
- Jamais dê carona a estranhos e não pare para auxiliar outros motoristas em locais ermos e horário avançado;
- Evite também deixar à mostra (ou mesmo sob os bancos) embrulhos, pastas e bolsas - o ideal é colocá-los no porta-malas do carro. Evite também deixar dinheiro em local visível;
- Evite colar adesivos, placas ou crachás que identifiquem o local onde você mora ou costuma frequentar. Tornar-se fácil de ser distinguido entre outros carros do mesmo modelo e de mesma cor que o seu pode colocar em risco sua segurança e a de sua família;
- Procure não transportar valores em seu carro quando estiver desacompanhado;
- Se um dos pneus esvaziar sem motivo aparente, não pare no primeiro momento, procure um lugar seguro para efetuar a troca;
- Ao parar em semáforos, fique alerta ao retrovisor de seu carro e mantenha o veículo engatado em 1ª marcha e distante do carro da frente o suficiente para arrancar, em caso de emergência;
- Evite atividades que tirem sua atenção do ambiente ao seu redor quando estiver parado (ex.: maquiar-se, falar ao celular, ler jornal, etc);
- Cuidado com falsos mecânicos, sempre solícitos, que aparecem “do nada” para ajudá-lo em locais ermos, tão logo seu carro entre em pane. Sinalize seu carro e peça apoio para a primeira viatura de polícia que cruzar por você.
- Dirija com os vidros fechados (se possuir película “insulfilm”, é melhor ainda), use o sistema interno de ventilação e portas travadas;
- Não deixe os seus documentos (nem os do veículo) no porta-luvas;
- Se for fumante, não fume parado no trânsito e muito menos com a janela aberta, pois essa conduta facilita a ação de criminosos, além de ser infração de trânsito;
- Se perceber estar sendo seguido por outro veículo, procure agir com naturalidade e dirija-se para ruas movimentadas. Se estiver indo para sua casa, passe direto por ela enquanto aciona a polícia pelo celular dando informações sobre seu veículo, o que está seguindo você e o local onde vocês se encontram;
- Procure estacionar em ruas iluminadas e próximo a locais vigiados dia e noite;
- Evite namorar dentro do carro, principalmente à noite e em lugares desertos. Já vi casos de abusos sexuais seguidos de assassinato do casal;
- Caso aconteça uma leve colisão na traseira do seu veículo e você desconfiar de algo, dirija-se até um local movimentado e procure uma viatura ou posto policial. Existem infratores que batem na traseira do carro da frente propositalmente para assaltar o motorista quando este desembarcar do carro para ver o estrago;
- Evite ostentar joias, celulares, câmeras digitais, notebooks ou tablets ou relógios de pulso. São ótimos atrativos para mal-intencionados de plantão;
- Evite deixar seu carro estacionado na rua, principalmente durante a madrugada;
- Desligue o carro, retire a chave do contato e tranque o veículo ao estacionar, mesmo que por poucos minutos.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Preparando o carro

Hoje em dia no Brasil é bem mais fácil comprar carro do que há alguns anos. A farta oferta de crédito contribuiu decisivamente para isso. Existem N opções de veículos. Temos configurações mais básicas, mais luxuosas, motores mais econômicos, mais potentes. As variações são enormes. Cabe a cada um avaliar as características de um carro, sua autonomia, capacidade de carga, e todas as demais variáveis para que faça a escolha mais acertada. A relação custo/benefício tem que ser a mais atraente possível. 

O carro é um excelente meio de transporte, indiscutivelmente. Se considerarmos uma crise extremada que coloque em risco a organização da sociedade que conhecemos hoje, será necessária a adoção de diversas providências para a conservação da sobrevida do sobrevivente e dos seus entes mais próximos. O carro contribuirá decisivamente para isso num clima dessa envergadura.

Mas hoje vamos falar da preparação do carro do sobrevivente. Em primeiro lugar, é possível escolher qual o tipo de veículo que você vai comprar, respeitando, claro, os seus limites orçamentários. Escolhido o carro que melhor irá lhe atender, vamos para o próximo passo; os cuidados com o ele.

Para que nosso veículo nos ofereça toda a segurança que pode, é necessário cuidar dele antes de ele cuidar de nós. A manutenção do sistema mecânico, a checagem das luzes, do nível do óleo, da água e do reservatório do limpador de para-brisa são providências que não podem deixar de ser tomadas em nenhuma hipótese. Andar com o carro sempre com o tanque cheio também é uma importante dica. Além de aumentar a vida útil da bomba e filtro de combustível, você pode aproveitar toda sua capacidade de quilometragem. A autonomia de um veículo é a distância em quilômetros que consegue percorrer com o tanque de combustível cheio até que ele esvazie completamente. Os pneus devem estar calibrados para economizar combustível e aumentar sua vida útil. Os documentos devem estar em dia e o documento de habilitação, dentro do prazo de validade. 

Enfim, manter a manutenção em dia diminui muito a possibilidade de ficarmos na mão num momento crítico. V
amos ao assunto principal. Penso que o veículo seja a célula de sobrevivência de seu proprietário no dia a dia urbano. O sobrevivente tem no carro muito mais que seu meio de transporte, ele tem um transporte para seus meios (logísticos) e, devidamente preparado, pode ser muito mais útil que outro carro que não o foi. Quando carregamos utensílios mantenedores da vida numa mochila, durante uma caminhada estamos restritos a conduzir apenas o estritamente necessário porque estamos limitados a suportar esse peso todo em nossas costas. No carro é diferente. Você pode transportar mais coisas, desde que devidamente acondicionadas. 

É importante que tenhamos no porta-malas do carro:
um rolo de corda (uso de 20 metros);
um minicompressor para encher pneu (ligado ao acendedor do carro);
um cabo para recarga de bateria (cabo de chupeta);
um cantil de água cheio;
um cabo de aço com ganchos nas extremidades (para fazer pequenos reboques);
uma lanterna com sinalizador (no mesmo corpo);
um galão de 5 litros (vazio);
uma mochila  contendo: um rolo de barbante (de algodão), uma faca bem afiada, uma vela, uma caixa de fósforos, um isqueiro, um rolo de silver tape, um apito, dois sacos plásticos de 100 litros, cinco chumaços de algodão, torrone, maltodextrina, sabonete, serra de arame, abraçadeira de plástico, lanterna a dínamo, preservativo, ferramenta multi-função, luz química, cobertor térmico, sachê de açúcar e sal, pinça, cortador de unhas,

É importante que tenhamos no banco traseiro do carro uma mochila pequena ou outra bolsa pequena desde que caiba os itens abaixo relacionados:
uma lanterna
uma faca bem afiada
um cantil de água cheio
um kit de primeiros socorros contendo: comprimidos (dipirona, anti-térmico), água oxigenada, gaze, ponto falso, atadura, gelol em sachê, termômetro digital, um medidor de pressão arterial digital, uma tala para perna e uma tala para braço, abraçadeiras de plástico (esgana gato), um envelope de CELOX (agente coagulante), um colar servical, duas bandagens.

Daí você me diz: nossa, que exagero. Não precisa de tudo isso. Minha resposta para essa opinião é: Você está equivocado. Sinto muito dizer, mas os fatos pretéritos mostram que vidas já foram perdidas por conta da falta da grande maioria de algum dos itens acima listados. Muitas mães estariam livres das lágrimas se seus filhos tivessem um só de algum dos materiais contidos em nossa relação ou que tivesse sido socorridos por algum motorista que se preocupa em manutenir a vida própria ou de terceiros. Certa vez, presenciei um acidente numa movimentada rodovia federal onde o motorista ficou com o cinto de segurança apertando excessivamente seu abdômen (o cinto estava mal ajustado na vítima antes do acidente). A trava do cinto havia entortado e portanto impossível de soltá-la. A única solução seria cortar o cinto, mas não havia ninguém entre os presentes no local que tinha consigo uma reles faca ou outro tipo de lâmina. Só depois da chegada do Samu que essa providência foi tomada. Felizmente esse fato não resultou no óbito da vítima, mas, num país em que morrem por ano, 50 mil brasileiros vítimas de acidentes automobilísticos, ficamos sabendo todos os dias de histórias em que o desfecho foi fatal.

Nos próximos posts vamos explicar a razão de ser das duas mochilas, a função de cada um dos itens mencionados, mesmo que ao vermos sua pura e simples descrição, já nos venha à cabeça uma ideia bem próxima da utilização de cada item. Analisarmos os detalhes nos permite ter uma ideia mais clara sobre todo o potencial que pode ser oferecido por cada um deles. O conhecimento é a salvação da verdade.

Até, sobreviventes!






quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Os famigerados kits

Os famosos kits de sobrevivência estão por todos os lados. Aqui e ali vemos sugestões de todo gênero do que se carregar diariamente. O que ocorre é que não existe uma forma de bolo, um kit universal que atenderá a demanda de todos os tipos de pessoas. Na maioria das vezes a necessidade de uma pessoa coincide com a necessidade de outras. Mas não é sempre assim. Cada pessoa tem sua peculiaridade. Existem pessoas que incluem cigarros em seus kits. As necessidades básicas são as mesmas, mas as demais são muito inerentes a cada um. 

Os aspectos a serem cobertos por um kit de sobrevivência procuram atender às necessidades básicas de uma pessoa. Esses aspectos são: navegação, sinalização, comida, água, abrigo, fogo. Como forma de facilitar a visualização do contexto, podemos dividir – para fins didáticos – os kits em:

·         kit portátil (também conhecidos por kit de emergência, kit básico, kit diário)
Compreende os itens estritamente essenciais para fornecer sobrevida a uma pessoa. Não incluímos aqui gêneros alimentícios nem água. A ideia é abranger os meios para se encontrar o produto final, ou seja, inserimos formas de se purificar a água e não a água em si; meios para se conseguir alimento e não alimento em si. É necessário – sobretudo neste tipo de kit mais enxuto – que o sobrevivente simule, use, teste, conheça os itens do kit como a palma de sua mão.  

·         kit base
Compreende o maior volume de suprimentos de que o sobrevivente dispõe.  É o estoque principal. É importante que esse montante de provisões esteja alojado onde o sobrevivente mora por ser o local mais provável que o sobrevivente esteja quando o evento danoso ocorrer.

·         kit móvel
É aquele kit que transportamos no carro. Nossa sugestão é que ele esteja alojado dentro de uma mochila resistente e esta seja acondicionada no assoalho do banco traseiro do lado direito (atrás do banco do carona). Se for possível prendê-la ao assoalho, tanto melhor, pois na eventualidade de uma colisão a mochila não se tornaria um projétil a ser arremessado contra os ocupantes do carro. Subsidiariamente é possível também alojar a mochila no porta-malas.

·         Kit secreto
É guardado no ponto 2. O sobrevivente deve ter consigo que certos eventos danosos inutilizarão sua casa. Com a ausência do suporte logístico principal o sobrevivente deve ter um plano B, um local secreto em que possua outra reserva de mantimentos. Esse local é para onde o sobrevivente se moverá ao abandonar sua casa.

Falaremos detidamente sobre cada um deles, elencaremos nossas sugestões sobre o que cada kit deve conter, diremos sobre a importância de se ter controle do prazo de validade de cada item, sobre a manutenção de componentes mecânicos, sobre as necessidades peculiares que cada pessoa tem ao montar um kit. Obviamente a nomenclatura dada acima a cada kit é apenas uma sugestão, já que o importante não é o nome em si, mas sua função, sua composição e os fins a que se propõe.

Sobreviver em meio hostil

Seis da manhã. Acordamos, levantamos, fazemos nossas necessidades fisiológicas e escovamos os dentes, comemos a refeição matinal e saímos para trabalhar. Já no portão vemos a rua - geralmente coberta por algum tipo de pavimento - vemos pessoas, carros, ônibus.  Chegamos ao local de trabalho e vemos os colegas, os superiores. Isso é o que chamamos de sociedade organizada - apesar de suas imperfeições estruturais.

Em Sociologia, uma sociedade significa associação amistosa com outras pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes e que interagem entre si constituindo  uma comunidade. A evolução da humanidade está diretamente ligada à necessidade humana de satisfazer anseios particulares. Platão estava certo ao afirmar que a necessidade é a mãe da invenção. Por isso o homem inventa, se arranja, cria métodos e técnicas para satisfazer suas necessidades de defesa, alimentares, construtoras, de preservação da vida (medicina, odontologia).

Nessa linha de raciocínio temos as técnicas de sobrevivência em meios hostis. Hostil caracteriza qualquer meio ou conduta que oferece risco à vida, à segurança, à saúde, ao patrimônio de alguém, entre outros. Mesmo que não tenha sido hostil por todo o tempo, um ambiente, uma casa toda, uma rua, um bairro, uma cidade, um país, ou o que é pior, o mundo todo, pode, em algum momento, oferecer risco à manutenção da vida humana e então isso exigirá de você providências urgentes para permitir sua sobrevida naquele meio hostil. Antecipar ações, armazenar víveres, trazer consigo kits de utensílios, podem ser o fator determinante entre a continuação da vida, ou do extermínio dela.

Trataremos com mais detalhes aqui no blog acerca de meios para que uma pessoa urbana com pouco ou nenhum treinamento em sobrevivência possa sobressair de uma situação de emergência e ser testemunha do fato que desencadeou a crise.

Posso afiançar de antemão que quanto mais conhecimento nessa área trazermos conosco, menos equipamentos traremos na mochila. A mochila pode estar lotada de comida, medicações, lâminas de várias características, um grande novelo de corda e outras tantas coisas. Inútil tudo isso se não se conhece as especificações básicas de seu equipamento. Saber usar os recursos disponíveis em momentos de crise é probabilidade maior de manter-se vivo.

Trataremos sobre um sem número de informações e conhecimentos sobre sobrevivência que levarão peremptoriamente a uma maior capacidade de ler o ambiente, de fazer prognósticos dos cenários político, climatológico, econômico, astronômico e sociológico.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um breve comentário

Olá.
Vivemos um ritmo de vida alucinante nos dias de hoje. Internet, globalização, tecnologia de ponta, nanotecnologia. Aprimoramos os meios de comunicação, obtemos imagens da superfície marciana com “apenas” dez minutos de atraso (o tempo que a luz demora para viajar da Terra à Marte ou vice-versa). Enviamos sondas ao espaço profundo, sintetizamos drogas para várias doenças, explodimos a bomba nuclear. A produção do conhecimento humano atingiu patamares inimagináveis há 100 anos.
No entanto, o que faríamos se faltassem todos os recursos tecnológicos disponíveis atualmente? Conseguiríamos produzir fogo com duas pedras? Conseguiríamos caçar? Sobreviveríamos a uma hecatombe? 
O homem se depara constantemente com situações que exigem atenção, criatividade, solução rápida. Dominar técnicas arcaicas de sobrevivência podem ser uma boa solução e talvez o liame entre a vida e a morte. Nossa proposta aqui é apresentar dicas e sugestões de como enfrentar situações adversas, utilizar técnicas eficazes e fartamente comprovadas em campo, demonstrar ferramentas e dispositivos utilizados desde os primórdios pelo ser humano.
Conhecimento não ocupa espaço e sempre é bem-vindo. Abrir a mente a uma nova ideia pode significar a continuidade de nossa milenar luta pela sobrevivência.
Seja bem-vindo.